quarta-feira, 24 de junho de 2009
terça-feira, 23 de junho de 2009
Festas Juninas
domingo, 14 de junho de 2009
Singelo poeminha, publicado originalmente na primeira edição do Nunca, Ufal, 1996
sigo teus passos, impelido
por paixão, piedade...
a te proteger de meus sonhos pervertidos
Em teus dias de dor e insânia,
sigo teus passos, assassino
a esperar por um deslize, um momento...
concretizar minha sina, teu destino.
sábado, 30 de maio de 2009
Nunca tive muitos problemas em encarar o processo de envelhecimento. Acho que faz parte, e não se pode perder tempo questionando isso. A questão maior no meu entender, e é isso que me deixa perturbado, é que existem tantas coisas para ser feitas, tantas coisas para intervir, transformar que talvez não haja tempo suficiente. Outra coisa que me fez pensar nisso foi uma conversa com um amigo, que eu achava que queria consumir o mundo inteiro de uma só vez, como numa dose de whisky que viramos de uma vez.
Para mim, isso está sendo muito estranho, pois depois de chegar aos 30, alguns anos atrás, comecei a desenvolver o pensamento de que as coisas devem ser apreciadas, não necessariamente de forma moderada, mas que em vez da quantidade, deveria dar ênfase à qualidade das sensações. Nessa época comecei a desenvolver meu paladar e a apreciar vinhos, sendo hoje um viciado em vinhos. Mas eis que de repente a crise dos quarenta começa a dar sinais ainda nos trinta anos. Parece que é isso, há uma variedade tão grande de lugares e sensações a serem degustadas que sinto que o tempo é curto para tando.
E isso falando apenas das sensações, há ainda como eu disse a questão dos ideais, da necessecidade de ser relevante, de poder ser realmente um agente de transformação da realidade, pensamento que vem assombrando minha mente há tempos, e para o qual ainda não encontrei uma resposta.
Esse assunto ainda não acabou...
domingo, 26 de abril de 2009
Pecador arrependido
Para, para, para... Sai para lá, afasta esse pensamento de minha mente, tenho que me alienar de tudo! Tenho que pensar no aqui e agora, na saciação de meus desejos mais primários, fome, sede, prazer!!!!! Cadê você meu Santo "Inácio da Silva"? Afaste esses pensamentos impuros de minha mente, afinal nunca na história desse país tantos foram enrolados por tão poucos. Eu também quero o meu quinhão de miséria e ignorância. Afasta de mim esses pensamentos reacionários e contra-producentes. Fazei de mim um consumista desenfreado e ignorante!!! Em nome do dinheiro, da cachaça e da putaria!!! Amém!!!
terça-feira, 14 de abril de 2009
Eu busco ser relevante.
Eu busco estar em harmonia.
Eu busco os sons das estrelas.
Eu busco o amanhecer dos dias futuros.
Eu desejo os ares gélidos das alturas e a escuridão insondável das profundezas.
Eu desejo ser onisciente, onipresente e indiferente.
Eu poderia ser deus, mas o homem me mataria. Eu busco ser algo mais que humano, algo mais que insano, algo mais que coerente.
... é acho que Watchmen( a revista ) me deixou meio pirado.
sábado, 11 de abril de 2009
Me vejo envelhecendo e sem esperanças. Me resta assistir minhas séries de ficção e sonhar.
quarta-feira, 1 de abril de 2009
Já batizei o bicho. Chama-se Enterprise ( se alguém já entrou e leu meus textos, sabe que sou viciado em Jornada nas Estrelas), só não quebrei o champanhe, preferi bebe-lo hehhehe.
sábado, 21 de março de 2009
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009
...
Durante um tempo pensei que meus sonhos psicopatas e pesadelos recorrentes fossem a causa desse sono ruim, então tentei diminuir o tempo em que passava assistindo séries como CSI ou Dexter ou Law and Order SVU. Mas isso também não mudou nada.
Agora percebo que o que me deixa ansioso são os telejornais. Lembro que uns anos atrás se falava no perigo iminente do aquecimento global, lembro que se falava da fragilidade do sistema econômico, da limitação dos recursos naturais, da falta de investimento em educação em escala mundial.
Se antes eram apenas conjecturas, agora o que vemos é realidade. Como no conto de Garcia Marques, viamos nos jornais e telejornais a Crônica de uma morte anunciada, a morte de um planeta infestado pela praga da humanidade.
Agora o Obama tenta restaurar uma economia moribunda, incentivando o crescimento do consumo, quando o planeta mostra sinais claros de desgaste e escassez e o mundo começa a perceber as transformações bizarras no clima. Será que isso vai acabar bem?
Sei não... Já viram que as enchentes de Santa Catarina são parecidas com as da Austrália e da China?
Sei não...
sábado, 10 de janeiro de 2009
Coisas desconexas, músicas e sei lá mais o quê.
Na literatura J. R. R. Tolkien escreveu em seu Silmarillion, obra que narra o surgimento do universo da Terra Média, que uma entidade chamada Iluvatar canta uma melodia que faz surgir os Valar, seres similares aos Arcanjos da mitologia judaico-cristã, que são os responsaveis por continuar a criação de terras, lagos, mares, montanhas, animais... à partir de variações da melodia inicial de Iluvatar, ou seja uma verdadeira jam-session jazzística.
Música pode relaxar, instigar, hipnotizar. Desde a pré-história humana, cerimônias religiosas usam cânticos para gerar um estado de transe que permite entrar em contato com a divindade, o que é muito semelhante ao efeito que certas músicas eletrônicas podem provocar durante as Raves, mesmo que estas pessoas não usem drogas, mas se usarem então, tudo parece uma cerimônia do Daime com muito mais decibéis e Watts de potência.
Considerando esse efeito "curioso" da música e do som mais especificamente, me foi apresentado um site interessante dia desses, chamado I-doser. Segundo me contaram, criaram um processo de tratamento para dependentes químicos em que utilizariam de certas frequências sonoras para gerar no cérebro desses pacientes efeitos similares ao das drogas que cada indivíduo fosse por ventura viciado. A idéia era de que essas frequências relaxariam o paciente sem o uso de medicamentos em determinada fase do tratamento.
No início quem tivesse interesse em testar essas frequências tinha que pagar, e o programa se apagaria após uma única execução, mas isso gerou uma questão ética, pois essa passou a ser mais uma droga no mercado e não uma forma de tratamento. Resolveu-se então fornecer de graça, mas ainda no mesmo esquema de execução única. Com o tempo, esses códigos foram hackeados e hoje é possível executa-las até enjoar.
Não vejo muita diferença dessas frequências para aqueles Cds de relaxamento vendidos por aí, com música new age ou hindu. Ainda assim, está aí, mais um produto para consumo da garotada.
E como tinha que descobrir se o negócio era para valer mesmo, resolvi fazer uma experiência. Baixei uma das frequências, passei para meu mp3 player e resolvi testa-la. Um amigo meu disse que tinha achado muito legal e coisa e tal, mas sinceramente falando, achei muito mais interessante ficar escutando coisas como Interstellar Overdrive, musica do album The Paper at Gates of Dawn, primeiro album do Pink Floyd, totalmente psicodélico, clássico instatâneo da época mais criativa da história do Rock.
E se a idéia é relaxar, desaconcelho totalmente. É muito mais legal uns quinze a vinte minutos de Zazen, tácnica de ralaxamento e meditação oriental, com efeitos muito mais saudáveis e sem a dor de cabeça e ouvidos de ficar escutando ruidos ininteligíveis por tanto tempo.
domingo, 21 de dezembro de 2008
Informação é poder
Vou contar uma história que serve de exemplo. No fim dos anos 80, inicio dos 90, o mundo havia sofrido transformaçãoes muito marcantes. Em 89 caiu o Muro de Berlin, o que representou o fim do Comunismo e a vitória do Capitalismo. Era o fim da Guerra Fria, e o início de um novo capítulo da história mundial mesmo que alguns tenham apregoado o Fim da História, coisa que não concordo e não sei realmente se entendi direito. Naquela época eu tinha uns 15 para 16 anos e embora estivesse ciente de alguns destes fatos através dos noticiários, não tinha a noção exata da importância daquele momento. Bom, mas eu vivia minha vida, estudando, treinando karatê, ouvindo minhas bandas favoritas, lendo, vendo Tv, jogando video-game hehehe.
Então um fato estranho na cidade em que eu vivia me chamou a atenção. Um louco desvairado, psicopata-piromaníaco qualquer (pois existem muitos por aí à solta) havia atirado duas bombas incendiárias num clube da cidade, sem conseguir causar grandes estragos materiais. Achei muito estranho e preocupante, pois uma semana antes, na escola, numa dessas conversas que garotos têm a toda hora sobre filmes, mulheres, diversão, etc... alguém perguntou o que era o tal coquetel molotov que alguém nesse filme em questão tinha usado. Todo metido a besta e ingênuo, para mostrar que sabia, contei o que era e não satisfeito, ainda contei detalhes do processo de montagem do dito coquetel, pois já tinha visto várias vezes isso no cinema.
Imagine a minha surpresa ao saber das bombas. Naquela época, imaturo e inconseqüente, e apesar de ser totalmente contra qualquer ato de terrorismo e violência, não dei a devida atenção ao ocorrido. Hoje, vendo o que se pode encontrar por ai na internet e o que a garotada anda fazendo, finalmente percebi o potencial que essas informações tem na sociedade. É possível aprender qualquer coisa na internet, o que torna a coisa extremamente perigosa. Não estou aqui defendendo qualquer tipo de censura, despertei para isso quando minha irmã falava que não se podia deixar minha sobrinha de 6 anos no computador sem supervisão, pois ela já sabia utilizar a internet e poderia encontrar coisas que não são adequadas a idade dela.
Dá para imaginar o efeito que um texto pode ter na cabeça de alguém com a personalidade ainda em formação? Essa é justamente a importância a que me referia, do potencial educador e ao mesmo tempo destrutivo de nossas ações no mundo. Acredito que se deva continuar agindo, informando, influenciando, educando, mas com consciência ética e certo controle, pois mesmo com as melhores intenções cada palavra escrita ou falada tem potencial criativo ou destrutivo, muitas vezes além da nossa compreensão.
sábado, 20 de dezembro de 2008
UMA HISTÓRIA PARA TODOS E PARA NINGUÉM
...Doze anos esperamos por ti
Dia após dia, anos a fio.
Dozes duplas, triplas
Múltiplas medidas
No aflorar de tua vaidade,
Como és doce
Alcoólico topázio
Não sejas sempre assim,
Tão breve...
Cheguei ainda pouco, na vitrola, Billie Holiday destroça meu coração cantando Solitude. Brandamente alcoolizado, um sabor amargo na boca, relembra doces aventuras juvenis, na companhia de um amigo de velhas eras e covas. Não pelo álcool em si, mas pelo que ele me proporciona: uma conversa franca, sem sublimações ou medo de perguntar e responder, sem freios. Noites embaladas em ouro envidraçado, no qual o conheci aos poucos, em muitas noites, duplas, triplas, múltiplas dozes, em que risos algumas vezes se misturaram às lágrimas.
Algumas coisas na vida precisam de ritual, pois os prazeres se perdem na necessidade de seguir os passos dos outros. O Whiskey sabe disso. Ele não lhe diz o que fazer, o alcoólico topázio nem sequer coloca a mão no seu ombro, porque sabe que a sua dor não passará assim; ao invés disso, apenas fica na sua frente, calado, te esperando, pois te conhece profundamente como ninguém. Existem raras coisas nesta vida que se deve fazer sozinho. Uma delas é sentar-se ao vazio da sala, na mudez do peito onde só há você, e os milhões morcegos que atordoam sua consciência, que lhe faz ter calafrios pela canalhice que você cometeu horas antes, pelas mulheres que você machucou sem que elas merecessem, pelo amigo que você ofendeu. É só ali, ao vazio da sala, que somente seu coração palhaço e vadio é capaz de entender, que sempre irá magoar uma mulher, na plena convicção de que isso não é certo, ao mesmo tempo em que admite, com a mesma certeza de que sempre haverá um dia após o outro, você não conseguirá evitar.
E nessas horas, sentado ao vazio da sala, na mudez de seu coração palhaço e vadio, onde só há você, e os milhões morcegos, só duas companhias lhe são permitidas. Uma delas é Billie Holiday, porque ela como ninguém mais, sabe o que se passa em sua alma e desmorona as muralhas de seu peito cantando You're too lovely to last, então você entende, que não são necessárias palavras e apenas naquele momento, só você, a música, o perfume do malte que vem de seu copo e seus morcegos, lhe são necessários. Ou quando você desaba na mesa do botequim, e ao conseguir voltar para casa, as estrelas e somente elas, iluminam o seu caminho, e quando resta a última doze, chegamos a concluir que porra nenhuma interessa, e que a vida toda é uma grande brincadeira, quando às vezes choramos por elas e sabemos que não somos nada, mas que nossas micro tragédias são enormes, e quando esgota a última gota da garrafa, chegamos até mesmo a concluir que nosso universo masculino foi composto ao decorrer dos milênios, por vãs palavras como estas, muitas vezes ditas em momentos como este, quando nada mais importa ou faça sentido, quando se está sozinho, a garrafa vazia largada sobre a mesa, e de quão somos diminutos perante as mulheres.
UMA HISTÓRIA PARA TODOS E PARA NINGUÉM parte II
A outra companhia é o Whyskey, pois ele entende como ninguém o que há de inexorável nesta vida; apenas ele entende que você sabe que vai magoá-la sempre, mas que não pode evitar, porque é assim que somos e fomos forjados a ser; só ele entende que isso não sai da sua cabeça. Só ele entende as suas tantas promessas não cumpridas, só ele entende que você mente sendo sincero.
Ele não é companhia para qualquer um, que apenas o bebe por beber, feito tantos que percorrem as esquinas em busca de prazer prático, é para quem se arrepende. Não devote confiança a quem diz não se arrepender de coisa alguma nesta vida; porque esse é o verdadeiro idiota, não distingue sequer o sabor do malte no fim do copo, ou não viveu a triste vida, tem o orgulho néscio de nunca ter errado porque só tomou as decisões certas na vida e não sabe de nada, é só outro idiota robotizado programado para dizer sim. E de idiotas o planeta está cheio.
Só diz não beber Whiskey quem nunca fez nada errado; quem nunca se arrepende de nada. Quem nunca viu uma mulher chorar na sua frente, por sua causa, e só se sentiu enfado; quem nunca declamou Baudeleire às sombras taciturnas da noite; quem nunca jurou um amor que não sentia, apenas porque ela tinha um rabo maravilhoso e peitos que mais pareciam um convite de boas vindas e que precisavam ser engolidos por sua boca e sentidos por sua língua; só não diz ser tua compahia o Whiskey, quem nunca puxou cabelos sabendo que ela iria gostar; quem nunca deixou em quadris as marcas rochas de seus dedos e depois de cumprido seu papel, urinou na porta dela demarcando o seu território. E após isso, ainda assim, o velho Whiskey é sua companhia inseparável. Quando os poetas estão bêbados, e por deveras se embriagam em demasia, sinas noturnas, boemia; e transpiram o dourado amigo por três dias, ele sempre se fará presente, e nunca irá te abandonar quando girar o mundo, rodar tudo igual ventilador, quando só de festas viveres a vida, quando se for branca a última estrela, ou quando dermos por finda a vida, na perspectiva do domingo e até mesmo quando não fizer diferença alguma termos pernas, este companheiro estará ao seu lado, pois até mesmo suas garrafas vazias lhes servirão de muletas. Um brinde ao eterno amigo!
Da embriagueis...
